#149 – Dicas de viagem para turistas não retardados

Nunca foi tão fácil viajar em toda a história da humanidade. Por um punhado de dinheiro, ganhamos o direito a uma fantástica cadeira voadora que pode nos levar em poucas horas para quase qualquer lugar do mundo. Ou seja, um viajante não tem absolutamente nada do que reclamar, certo? Errado. Assim como todo Batman tem um Coringa e todo Chapolin Colorado tem um Tripa Seca, o viajante de bem também tem o seu nêmesis: o Turista Retardado.

Os Turistas Retardados são famosos por trazer o caos para áreas específicas – os Pontos Turísticos – de cidades em todo o planeta. Uma das características mais marcantes destes indivíduos é sua habilidade em entregar, com um grande sorriso no rosto, quantidades obscenas de dinheiro para habitantes nativos de um lugar que ganham a vida oferecendo Frajola em lugar de Pernalonga.

Consolido aqui algumas dicas para o viajante que quer viajar sem ser estorvado por este bando de filh incômodo gênero de seres humanos.

 

Dica #1 – Típico não é necessariamente bom

Se o lugar que você esta visitando é muito famoso por X, então X é muito provavelmente o que você precisa evitar para receber nossa certificação de ™Turista Não Retardado™. As pessoas vão tentar te arrastar para X, os guias de viagem vão ter inúmeras fotos de X, todos os seus amigos vão ficar te perguntando pelo Facebook se você já viu/fez X e, quando você voltar pra casa, vão ficar indignados quando você contar que nem passou perto do que quer que seja a merda do X. Mas por quê você deve evitar a coisa mais típica de um lugar, se ela supostamente descreve uma cidade ou um país? A resposta é simples: porque “típica” é a palavra favorita do Turista Retardado. Se você realmente não quiser abrir mão de X, há alguns calmantes que você pode comprar sem receita. Sério, você vai precisar.

 

Dica #2 – Não seja confundido com o seu inimigo

A não ser em casos extremos, tente se vestir e agir de acordo com o costume local. Se parecer com um Turista Retardado aos olhos dos habitantes nativos raramente vai trazer algo de bom: vão te tratar igual um idiota, vão te cobrar muito mais caro pelas coisas e vão te sequestrar e roubar os seus órgãos, que serão vendidos no mercado negro do seu próprio país para seu vizinho de baixo que ficava cutucando o teto com a vassoura toda vez que você arrastava uma cadeira de rodinhas por mais do que dez centímetros. Ah, e muita atenção para não confundir costumes que são de fato locais com a concepção do Turista Retardado de “costume local”.

amoooor, olha que lindo que eu comprei pra você vestir hoje

 

Dica #3 – Restaurantes

Sim, tem um item só para restaurantes. Abrir mão do seu confortável arroz-feijão-com-bife para experimentar comidas completamente diferentes é uma das coisas mais gratificantes de uma viagem para um lugar desconhecido. O problema é que restaurantes de cidades turísticas são especializados em te vender merda a preço de ouro. Há diversos indicadores de que um restaurante é ruim, basta olhar com atenção antes de entrar. E se você já aprendeu a identificar TR’s pela roupa, caso veja um aglomerado deles sentados no mesmo lugar que você, saia correndo antes que o garçom tenha tempo de te empurrar o já tradicional couvert pão duro + manteiguinha sem gosto.

 

Dica #4 – Baixa temporada

Nem todo mundo consegue escolher a data exata das férias para viajar em baixa temporada. Se você algum dia vir essa oportunidade saltitando jovialmente pelos bosques da vida corporativa/acadêmica, agarre-a imediatamente – a não ser que o grande motivador da sua viagem para algum destino específico esteja relacionado com o clima vigente na alta temporada. Além da ínfima densidade de TR’s em baixa temporada, menos gente quer dizer menos espera, preços baixos e muito mais conforto. Uma desvantagem é que muitos lugares vão estar fechados, mas há uma vantagem decorrente disso: restam abertos apenas os lugares que os nativos frequentam, ou seja, isto age naturalmente como um filtro para te livrar de furadas.

 

Dica #5 – Aprenda a identificar furadas

Infelizmente, a sabedoria que te leva a distinguir programas bons de programas ruins é algo que vem com a prática, e mesmo veteranos eventualmente se encontram às vezes ilhados em um mar de chapéus panamá. Pedir informações para as pessoas do local onde você está se hospedando – caso o próprio lugar já não seja uma furada por si só – é sempre uma boa ideia. Mesmo se você não fala a língua local, não gosta de conversar com estranhos ou é mudo mesmo, ainda há muitas fontes de informação na internet que podem te ajudar. E além de te livrar de Turistas Retardados, tentar descobrir de antemão o tipo de pessoa que costuma se enfiar no lugar em questão também é crucial para se manter livre de indivíduos que vão fazer questão de reconfigurar o seu traseiro permanentemente, caso tenham acesso a ele.

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