#143 Relacionamentos, parte um

Um dia desses, numa conversa com um amigo, percebi que sempre que converso sobre relacionamentos com alguém, tenho que explicar toda a minha teoria acumulada ao longo de anos antes de começar a opinar. O problema é que geralmente o cérebro da pessoa apaga logo na segunda frase e ela acaba mudando de assunto pra falar da nova contratação para a zaga do São Paulo e aí o meu cérebro apaga logo na segunda sílaba. Nessa mesma conversa, esse artigo simplesmente fantástico ressurgiu do buraco negro no qual meu cérebro joga todas as informações relevantes para liberar espaço para as inúteis.

Tudo começa a partir da análise do nível de envolvimento de cada uma das duas (sim, esta é uma abordagem conservadora) pessoas em um relacionamento. A base da teoria é a premissa de que uma pessoa sempre tentará compensar a falta de sentimento da outra a partir de um maior envolvimento emocional da sua parte. Veja em seguida um desenhinho pra prender a sua atenção.

nesse joguinho vc tem que fazer as linhas cinzas ficarem do mesmo tamanho

Supondo que o gráfico acima fala a verdade, considere a curva vermelha no ponto onde as linhas pontilhadas se encontram. Este cruzamento (trocadilho não intencional) corresponde ao ponto de equilíbrio, que é o momento em que ambos estão igualmente envolvidos. Todos os demais pontos da curva apontam momentos em um relacionamento em que uma pessoa está mais envolvida que a outra, colocando automaticamente esta segunda pessoa no modo de acomodação emocional.

Respire fundo agora para tentar sobreviver às próximas duas frases ou então vá se distrair um pouco no twitter MAS TRATE DE VOLTAR DEPOIS. Note que este gráfico não descreve um relacionamento em sua totalidade, mas sim um instante, como se fosse uma fotografia que alguém tirou dele num lindo domingo de sol. Portanto, aqui, o alcance do ponto de equilíbrio não necessariamente aponta um relacionamento ideal e maduro mas sim um momento de total correspondência emocional.

O ponto de equilíbrio geralmente é alcançado em duas situações distintas. A primeira ocorre quando o casal acabou de se apaixonar e pode acabar se alguém a) enjoar da outra pessoa b) tiver suas expectativas frustradas ou c) encontrar “alguém melhor”. Considere, por exemplo, que Jecebel encontrou outro rapaz que, além de ter um “nariz” maior que Gláucio, não mija na cama enquanto dorme:

jecebel & glaucio

glaucio corre q ce ta perdendo

A segunda situação está relacionada não apenas ao alcance do ponto de equilíbrio mas da permanência nesta condição. Ela depende tanto da afinidade quanto da maturidade, que impedem o afastamento sentimental causado por motivos como os da primeira situação. O gráfico a seguir mostra a relação entre a distância sentimental entre o casal (d = |Ex – Ey|) e a soma afinidade + maturidade (s2 = A+M). Note que quanto menor for o valor de d, mais perto do equilíbrio os dois pombinhos estão:

s2

o escorregador do amor

Tomei a liberdade de incluir alguns símbolos matemáticos de uma revolucionária notação matemática experimental 100% autoexplicativa criada nos laboratórios do MIT para facilitar a leitura deste último gráfico.

Agora imagine que as linhas vermelhas de cada um dos gráficos entram em erupção, começando a tremer violentamente e se expandem (mais e mais) para cima e para baixo, formando grandes faixas de lava incandescente de pixels vermelhos. Isto forma a margem de erro, ou seja, os valores podem variar dentro das extensões destas faixas. É sempre importante considerar a margem de erro, especialmente nestes casos, afinal todo mundo sabe que não dá medir o amor em números precisos, exceto pela parte em que na verdade dá sim.

No próximo capítulo vamos falar sobre início, meio e fim de relacionamentos e, se der tempo, sobre a arte de fazer panquecas usando apenas a luz solar e a imaginação.

(mais e mais)
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